Não sei como irei descrever a sensação de dejavu que toma o meu corpo.
Voltando do meu serviço, lembro-me da infância com todos os brinquedos de madeira feitos por meu avô, todas as bolas jogadas em cima de telhados e furadas também, de repente me veio uma vontade de voltar a onde tudo começou, onde eu aprendi a ser o que sou hoje a casa de Dona Marizette Clauspio, minha querida minha mãe falecida há tantos anos como me faz falta Dona Marizette Clauspio, o seu colo sempre me confortava depois de uma queda, um ralado na pelada da rua quatorze, bons tempos, bons tempos...
Perdendo-me em pensamentos vejo que estou chegando perto do meu destino rua quatorze numero seiscentos, chegando lá, desço do carro para poder admirar melhor aquela casa de tantas lembranças que parecem que aconteceram ontem, até que percebo algo salgado em minha boca, eu estava chorando, sem nenhum motivo aparente estava debruçado em lágrimas, cada lágrima que escorria de meu rosto, fazia lembrar momentos que jamais voltaram, e continuava a chorar.
Procuro no meu bolso direito uma chave, a chave da casa de Dona Marizette Clauspio, pego-a e vou em direção a porta, enxugando as lágrimas que continuavam a cair, abro e vejo a cadeira de balanço que tanto me fez levar xingos de minha mãe, brincava de gangorra, cavalinho entre outras brincadeiras de criança, que deixavam minha mãe muito aborrecida, mas sempre no fim do dia, ia para a cadeira de novo, porém no colo do meu avô Ariclenis, que me contava historias sobre piratas, bandidos do velho oeste ate me ver de olhos fechados, dormindo como um anjo dizia ele, chamava meu tio Jorge pra me colocar na cama, pois não agüentava carregar os míseros 32 quilos. E hoje estou sentado nessa cadeira, lembrando dos momentos com meu amado avô Ariclenis.
Caminho pela casa, a cada cômodo uma lembrança diferente, entro no meu quarto e vejo meus brinquedos, começo a mexer e percebo que estou do mesmo jeito que ficava a anos atrás, sentado no chão empurrando um carrinho de madeira fingindo estar derrubando uma parede ou passando por cima de um monte de carros menores.
Olho em volta e percebo que já anoiteceu, saio do quarto, desço as escadas apagando todas as luzes, chego à porta e com ela ainda aberta olho para trás, sem querer parar pra pensar, saio aos prantos trancando a porta fechando o portão.
Ao chegar em casa, minha mulher pergunta-me:
- Querido, onde andou? Está tarde e quase perdeu a hora do jantar!
E eu lhe respondo:
- Estava voltando a minha origem.
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